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Pronampe: bancos diminuem valor de empréstimos para atender mais clientes

Baixo volume de recursos disponibilizados para a linha levou os bancos adotarem uma política mais seletiva de concessão de crédito, o que afetou, sobretudo, bares, restaurantes e hotéis, que tiveram de manter as portas fechadas na maior parte da quarentena nos estados. Em entrevista, Alexandre Sampaio, presidente da FBHA, entidade que representa o setor de alimentação fora do lar e turismo, fala sobre o Pronampe, sobre o Ecad e explica quais medidas do governo visam salvar o setor que gera, anualmente, R$ 50 bilhões em receitas e emprega 1,1 milhão de pessoas

Alexandre Sampaio, presidente da presidente da FBHA, entidade que representa o setor de alimentação fora do lar e turismo, comenta as quais medidas do governo que visam salvar o setor que gera, anualmente, R$ 50 bilhões em receitas e emprega 1,1 milhão de pessoas

Criado para salvar empresas em dificuldades por conta da pandemia do novo coronavírus, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) não está chegando à ponta, seja por dificuldades burocráticas ou falta de recursos da linha, o que tem levado muitas empresas que dependiam do dinheiro a fecharem as portas.

Idealizado ainda em março, quando o Brasil ainda registrava os primeiros casos de contaminação pelo coronavírus, o Pronampe só se tornou lei em maio. Mesmo assim, as tratativas para liberar recursos para que os bancos pudessem operacionalizar o programa se arrastaram ao longo dos meses seguintes, fazendo com que o dinheiro só começasse a chegar, de fato, aos correntistas no início de julho.

A demora criou outro problema: com o avançar da crise, muitas empresas ou quebraram ou passaram a depender ainda mais de financiamentos para não fechar as portas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, de cada 10 empresas que encerraram atividades na primeira quinzena de junho, quatro culparam o coronavírus.

Muitas dessas empresas são do setor de bares, restaurantes e hotelaria, que dependem muito do movimento presencial de consumidores e que tiveram de manter as portas fechadas na maior parte da quarentena.

Para discutir as medidas do governo para salvar esse setor e tentar antecipar como serão os próximos meses para o turismo e serviços no país, o blog Deco Bancillon conversou com opresidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio.

Na entrevista, ele fala sobre o Pronampe, sobre o Ecad e explica quais medidas do governo visam salvar o setor de alimentação fora do lar e turismo, setor que gera, anualmente, R$ 50 bilhões em receitas e emprega 1,1 milhão de pessoas, entre empregos diretos ou indiretos. Entre os estabelecimentos, são 30 mil hotéis ou similares e 700 mil bares ou restaurantes. No total, é um setor que representa 2% do PIB.

Um dos principais tópicos da conversa é o Pronampe. Na entrevista, o presidente da FBHA fala sobre a nova liberação de recursos para o programa, que tem sido a principal linha de crédito a atender o setor. “Quando o governo separou o dinheiro (para o Pronampe), muitos bancos se habilitaram a pegar tranches dessa operação. Sobretudo bancos públicos, porque era uma premissa de política pública implementada pelo governo”, diz.

Alexandre também comentou que a escassez de recursos, devido ao baixo volume de recursos disponibilizados para a linha, fez os bancos adotarem uma política mais seletiva de concessão de crédito, de modo a atender mais clientes – e, consequentemente, reduzindo o valor dos empréstimos concedidos para um patamar bastante inferior ao previsto pelo programa, que previa a concessão de empréstimo de até 30% do faturamento das empresas em 2019.

Um dos exemplos de bancos que adotaram essa política, diz Alexandre, foi o Itaú, que foi a terceira instituição financeira mais ativa no Pronampe, atrás apenas de Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. “O banco Itaú fez uma política um pouco mais ampla. Ele não deu aqueles 30% para cada tomador, conforme aquelas cartas da Receita Federal que davam a premissa de que você poderia captar até 30% do seu faturamento do ano passado. Geralmente, o Itaú trabalhou com 10% a 15% do valor da carta enviada, o que acabou ampliando o leque de atendimento, mas deixou muita gente mal atendida”, conta, mencionando que outros bancos, como Santander e Bradesco, devem começar a operar o Pronampe agora em agosto.

Confira a entrevista no canal Deco Bancillon no YouTube:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.