Blog do Deco Bancillon

Governo vai zerar imposto de importação do arroz para evitar desabastecimento

Preço do item disparou nos últimos meses. Em alguns supermercados, pacote de cinco quilos é encontrado a R$ 40

Item essencial na alimentação do brasileiro, o arroz está pesando no bolso de muitas famílias. Se antes da crise era possível encontrar um pacote de cinco quilos por R$ 15, agora o item chega a ser vendido por R$ 40 — uma alta de 166%.

Diante da escalada dos preços do cereal nas prateleiras dos supermercados e temendo um desabastecimento do produto, o governo decidiu zerar a tarifa de importação do arroz. Serão 400 mil toneladas do item que poderão ser adquiridas pelos supermercados com imposto zero até o final do ano.

A ideia é que a medida seja vota nesta quarta-feira (09/09) pelo Comitê Executivo de Gestão (Gecex), órgão do governo que define a política tarifária brasileira.

Ao zerar o imposto de importação do arroz, o governo espera que a oferta do produto se equilibre e os preços ao consumidor recuem.

Em 2020, enquanto as exportações de arroz beneficiado saltaram 260% entre março e julho deste ano, para 300 mil toneladas, no mesmo período, as importações do produto no período despencaram 59%, para 48,3 mil toneladas. E aí não tem jeito: se tem mais arroz saindo do Brasil do que entrando, o preço sobe.

Preço do arroz disparou nos supermercados
E subiu bastante. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o produto comprado dos produtores pelas indústrias ficou 30% mais caro só em agosto. Reforçando: 30% de aumento APENAS em agosto.

É claro que os supermercados, diante da alta dos custos, decidiram repassar os valores para o consumidor. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo mostra que a alta do arroz chega a 100% em 12 meses. E, por mais que o governo apele ao patriotismo e boa vontade dos supermercados, diante desse quadro de falta de produto lá fora e alta do dólar, é difícil imaginar que os preços sigam outra trajetória que não seja de alta.

Arroz caro é em parte culpa da alta do dólar

Um dos principais motivos é o aumento no consumo do item durante a pandemia.

Com a quarentena, famílias em todo o mundo trocaram escritórios pelo home office. Com isso, reduziram as saídas ao restaurante e passaram a cozinhar mais em casa. O resultado foi um aumento na procura por itens da cozinha básica, como feijão, arroz, óleo, leite.


Para piorar, muitos países que sempre foram grandes produtores de arroz passaram a limitar exportações para garantir o abastecimento ao mercado interno. É o caso da Índia, Tailândia e Vietnã. Sem o arroz desses países asiáticos, aumentou a procura pelo arroz brasileiro.


E aí entra outro problema que se somou à maior procura pelo arroz brasileiro.


Dólar alto, estamos falando de você.


Tá certo que a valorização da moeda norte-americana já ocorre há vários meses, mas esse movimento se intensificou durante a quarentena. Assim, o dólar, que era negociado em média a R$ 4,10 no começo do ano chegou a quase R$ 6 no auge do confinamento. Em 13 de maio, a cotação chegou a bater em R$ 5,90.


A alta do dólar é ruim para muita gente, mas não para todo mundo.
Os produtores de cereal, por exemplo, foram beneficiados.
Assim, eles passaram a concentrar as vendas de arroz para outros países, como o México, e passaram a receber em dólar.


Enquanto isso, justamente por conta da alta do dólar, os mercados que importavam arroz passaram a reduzir as compras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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