Blog do Deco Bancillon

Análise: retomada da economia já está em curso, mas ela será duradoura?

Especialistas acreditam que a normalização da atividade virá em 2021, amparada pela chegada da vacina. Mas, sem bons projetos e investimentos no longo prazo, PIB poderá afundar novamente

Rsponsável por 25% do saldo comercial do Brasil, indústria extrativa mineral já doou R$ 900 milhões para ações de prevenção e combate ao coronavírus

DECO BANCILLON | BRASÍLIA

Que a retomada da economia depende da chegada da vacina contra o coronavírus, ninguém tem dúvidas. Mas a pergunta para a qual ainda não há resposta é que tipo de recuperação teremos pela frente. Essa é uma questão que envolve saber se teremos uma rápida recuperação seguida de um crescimento sustentável ou um temível voo de galinha: quando o Produto Interno Bruto (PIB) sobe rapidamente para, em seguida, voltar a cair com força.

Há uma classe de profissionais que se incumbe de responder a esse tipo de pergunta: os economistas. Atualmente, o consenso entre eles é que o PIB deverá desabar 6,5% este ano e embalar, nos seguintes, um ritmo de crescimento na casa dos 3,5%.

Apenas para ilustrar esse pensamento, imaginemos um caminho em V – marcado por uma forte queda seguida de uma similar retomada nos anos seguintes. Nesse cenário, 2020 seria um ponto fora da curva. Aquele pneu furado que te tira da estrada por algumas horas, mas que, uma vez consertado, te permite retornar ao volante na mesma velocidade e trajetórias de antes.

Há outras previsões, no entanto. Uma delas é a retomada em W, quando o PIB cai fortemente, volta a subir rapidamente e repete, nos anos seguintes, esse processo. É o Deus nos acuda, porque ninguém sabe ao certo como será a retomada, quando vai voltar a vender mais, quando é a hora de colocar o pé no freio, ou de acelerar.

Esse modelo só não é pior do que a retomada em L, marcada por uma forte queda do PIB seguida por longos anos de uma economia adormecida, paralisada, com empresas e trabalhadores sem perspectivas de futuro, apenas se recuperando de um ano muito ruim e torcendo por dias melhores.

Uma retomada em L significa um país parado, inerte. Uma economia que não gera oportunidades de negócios, não produz novos empregos, não estimula investimentos. Hoje, esse é o maior risco que o Brasil corre. Um cenário devastador onde as pessoas e empresas estão permanentemente esperando o outro dar o primeiro passo. Aguardando o cenário desanuviar, o mar se tornar calmo novamente. E, assim, nessa de esperar pelo momento ideal, pela onda perfeita, empresas vão fechando, trabalhadores vão sendo mandados embora, o Brasil vai empobrecendo.

Por isso são louváveis iniciativas de gente que não só está olhando para o agora, na tentativa de fazer a diferença hoje, mas que também está já traçando planos para os próximos anos. Gente que faz o bem hoje sem descuidar do amanhã.

Um dos exemplos é a indústria extrativa mineral, setor que representa 4% do PIB e é responsável por 25% do saldo comercial do país. Nesse momento de pandemia, onde as incertezas prevalecem para todos, empresas de mineração já doaram cerca de R$ 900 milhões para ações de prevenção e combate à Covid-19. São números que reforçam a preocupação com o agora de uma indústria que respira o longo prazo, mas que sabe que não pode descuidar do hoje.

Apenas como exemplo, enquanto alguns negócios nascem e morrem em questão de meses, na indústria extrativa mineral todo o processo é medido em anos, chegando até mesmo a décadas. São várias etapas para que uma mina entre em operação comercial, processos complexos e caros que vão desde a pesquisa geológica, que muitas vezes aponta a inviabilidade de projetos, até a fase de concessão da lavra para exploração, o que demanda investimentos pesados em infraestrutura, maquinário e mão de obra qualificada.

E é por acreditar no amanhã que indústrias importantes fazem o hoje acontecer. Porque, ao estimular projetos de longo prazo, elas geram contratações agora. Estimulam negócios, geram oportunidades de empregos qualificados, incentivam a pesquisa científica no país. Por isso, cabe também louvar o esforço do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) em promover o ‘e-mineração’, evento que visa gerar negócios entre mineradoras e fornecedores de produtos e serviços em todos os setores da cadeia produtiva.

Pensado justamente para beneficiar pequenas e médias empresas, que poderão negociar junto a grandes mineradoras, o evento terá rodadas de negócios, palestras técnicas, entre outras atividades, todas pela internet. O e-mineração acontece nos dias 15 e 16 de julho, e pode ser acessado, gratuitamente, por esse site.

Que a retomada do Brasil seja rápida, duradoura e que inspire outras indústrias a se movimentarem. Que sejamos nós aqueles a dar o primeiro passo, a enfrentar o mar mesmo em tempos revoltos. Que possamos construir hoje o Brasil que queremos ter amanhã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.