Blog do Deco Bancillon

Alta recorde na popularidade de Bolsonaro incendeia eleições em 2022

Presidente, que inicialmente era contra aumento maior no auxílio emergencial, foi beneficiado por manobra do Congresso Nacional para inflar o benefício, o que, curiosamente, ajudou a aumentar a aprovação do governo perante a classe mais pobre e eleitores do Norte e Nordeste

DECO BANCILLON | BRASÍLIA

Quem acompanha de perto a política em Brasília ficou chocado com os recentes números da pesquisa Ibope. Nada menos que 40% da população avalia o governo Bolsonaro como ótimo ou bom, ao passo que aqueles que consideram a gestão atual ruim ou péssima somam apenas 29%. À primeira vista, uma aprovação de menos de metade da população em menos de dois anos de governo pode levar à conclusão de que a aceitação à atual gestão não é das maiores. Mas o que impressiona não é o número em si, mas a rapidez com que ele tem crescido.

Ibope mede popularidade de Bolsonaro

A última vez que os pesquisadores do Ibope foram às ruas aferir a popularidade de Bolsonaro, o quadro era bem diferente. À época, o percentual de ótimo ou bom era de apenas 29%. Já a desaprovação era de 39%. Agora, essas curvas se inverteram. A aprovação subiu 11 pontos percentuais ao passo que a rejeição despencou outros 9 pontos percentuais. Dito de outra forma, é possível dizer que a aprovação do governo aumentou 20 pontos em sete meses, isso em meio ao número recorde de mortes pelo coronavírus, ao aumento crescente do desemprego e a polêmicas como a demissão de ministros importantes da gestão Bolsonaro como Luiz Mandetta (Saúde) e Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública).

Antes panelaços; agora, aplausos

Basta lembrar que, no início da pandemia, Bolsonaro sofria panelaços quase diários e acumulava pedidos de impeachment, que só não foram levados à votação pelo Congresso Nacional por decisão pessoal do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

À época, o cálculo político em Brasília era o de dar corda para que Bolsonaro se enrolasse em suas próprias polêmicas, o que criaria espaço para, assim que a pandemia começasse a ser superada, o Congresso pudesse enfim colocar os pedidos de impeachment do presidente na pauta de votações.

Auxílio emergencial catapultou popularidade de Bolsonaro

O que os caciques políticos não contavam era que Bolsonaro, apesar de seguir acumulando polêmicas, também teve acertos. O maior deles, o auxílio emergencial, que, curiosamente, só chegou a ser estipulado em R$ 600 por ação do Congresso, que queria criar uma armadilha fiscal para o governo. O problema é que o tiro saiu pela culatra, e o que poderia significar a ruina da gestão Bolsonaro fez aumentar a conexão do presidente com os mais pobres, especialmente eleitores do Norte e Nordeste, onde as parcelas do auxílio emergencial configuraram um Natal antecipado.

“Outra pandemia”

Ao blog Deco Bancillon, uma alta fonte da Esplanada explicou a importância do benefício para o aumento da popularidade do presidente. “No Nordeste, as pessoas estão consumindo, comprando motos, criando pequenos negócios”, disse a fonte, afirmando ter ouvido de um empresário nordestino a seguinte frase, após ter se reunido com um ministro de Bolsonaro. “Ele chegou para o ministro e disse que espera que em 2021 tenha outra pandemia, porque ele nunca vendeu tanto”, disse.

É claro que o fim do pagamento do benefício, que só irá até o fim deste ano, deve impactar na popularidade do presidente. Mas, até lá, ele pode colher os frutos dessa boa vontade popular tocando um grande programa de obras públicas, possibilitando que Bolsonaro percorra o país de Norte a Sul inaugurando obras e mantendo o contato olho no olho do eleitor.

Para isso, dois ministérios estão trabalhando a todo vapor para concentrar essas entregas políticas. A pasta dos Transportes, comandada pelo ministro Tarcísio Freitas, e do Desenvolvimento Regional, comandada pela nova estrela do governo, Rogério Marinho.

Marinho, a nova estrela de Bolsonaro

É da alçada de Marinho grandes obras públicas como a transposição do Rio São Francisco e também o Minha Casa, Minha Vida, que foi rebatizado para Casa Verde Amarela. Para 2021, no entanto, a pasta também passará a coordenar as dezenas de obras relacionadas ao novo marco do saneamento básico, que deverá levar água e esgoto para as populações mais carentes, precisamente no Norte e Nordeste, locais que foram cruciais para aumentar a popularidade de Bolsonaro em meio à pandemia.

Diante desse quadro, é de esperar que o presidente continue galgando pontos percentuais em sua popularidade. Isso, é claro, se não se envolver novas em polêmicas, como questões relacionadas a seus advogados ou familiares.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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