Blog do Deco Bancillon

Acusada de racismo reverso, Magalu é a empresa que mais cresce no Brasil

Alvo de polêmicas por causa do seu programa de trainee da exclusivo para negros, empresa comandada pela mulher mais rica do Brasil tem histórico de decisões acertadas nos negócios. Em oito anos, ações da varejista dispararam mais de 1.000% na bolsa de valores

DECO BANCILLON e JUNIOR MEIRELLES | BRASÍLIA

Lançado na última sexta-feira (18-09), o programa de trainee 2021 para negros da varejista Magazine Luiza causou controvérsia e discussões contra e a favor da companhia nas redes sociais. Acusada de promover o que se chama de “racismo reverso”, a companhia fundada pela mulher mais rica do Brasil viu o seu programa para novos contratados se transformar em um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Segundo a Magalu, o objetivo do programa é promover a diversidade sobretudo em cargos executivos da empresa. Isso porque, embora cerca de 53% dos funcionários da companhia se declarem pretos e pardos, apenas 16% deles ocupam cargos de direção na empresa.

Cotas raciais aumentam o lucro?

E por que a Magazine Luiza, empresa que acumula recordes de alta na bolsa e que tem sido considerada a empresa que mais cresce no Brasil, está adotando cotas raciais? Talvez a explicação seja justamente a perseguição do lucro.

Uma pesquisa da consultoria McKinsey mostrou que empresas que possuem maior diversidade de raças em seus quadros diretivos obtêm melhor performance nos negócios. A pesquisa mostrou que a cada 10% de ganhos em diversidade racial e étnica em cargos-chave em uma empresa, a mesma companhia apresentaria, em média, um resultado 1% maior em lucro.

Magazine Luiza: império comandado pela mulher mais rica do Brasil

Qual o segredo de uma empresa que se valorizou mais de 1.000% na bolsa nos últimos anos? Boa gestão, aposta nos produtos certos, na estratégia correta de vendas, um bom mix de produtos. Tudo isso é verdade, mas também é a receita que outras grandes empresas de varejo do setor adotaram e nem por isso tiveram um resultado tão grande na bolsa. Isso nos faz pensar em outra possibilidade que outras concorrentes não tenham e que pode explicar um pouco do sucesso da Magalu na bolsa de valores: sim, estamos falando de diversidade, inclusive e – principalmente – de gêneros.

Antes de ser comandada pela empresária Luiza Helena Trajano, 69 anos, a Magazine Luiza já tinha outra mulher à frente das principais ações da empresa, a empresária Dona Luizinha. Considerada uma mulher à frente do seu tempo, dona Luizinha sempre tocou a empresa familiar com muita determinação, mas também possibilitando um ambiente onde as pessoas pudessem se expressar e galgar postos altos de trabalho.

Uma das principais funcionárias da Magazine Luiza foi justamente Luiza Helena Trajano, que começou a dar expediente na empresa com apenas 12 anos, passando pelas áreas de vendas e de cobrança. Em 1991, Dona Luizinha decidiu passar a liderança da empresa para a sobrinha Luiza. Quando assumiu o cargo, a Magazine Luiza tinha lojas apenas no interior de São Paulo. Hoje, hoje possui cerca de 1,2 mil lojas espalhado por quase todo o país.

No comando, Luiza deu oportunidade para a voz dos funcionários em qualquer tipo de decisão da empresa, evitando que a família viesse atrapalhar os negócios. Em 1999, Magalu se tornou a primeira loja virtual do mundo, virando um dos embaixadores do e-commerce nacional.

A persistência deu certo, e a empresa viu o mundo virtual roubar as atenções no negócio, a ponto de hoje representar mais de metade do faturamento da rede, superando o desempenho das lojas físicas. Entre de abril, maio e junho, quando o Brasil já afundava em crise econômica por conta da pandemia do coronavírus – e com a maior parte das suas lojas fechadas –, a Magalu registrou vendas de R$ 8,6 bilhões, um aumento de 49% comparado ao resultado do segundo trimestre de 2019. O resultado não foi apenas o maior já registrado pela empresa. Pela primeira vez, dois terços das vendas (mais precisamente 78%) vieram do canal digital. Uma marca em tanto para uma empresa que já investe nesse mercado há 20 anos.

Mulheres no comando

Outra pesquisa da McKinsey, dessa vez sobre questões de gênero, mostra que empresas que têm mulheres em cargos importantes também lucram mais. A pesquisa foi feita em 700 empresas espalhados em seis países da América Latina, sendo eles: Brasil, Argentina, Peru, Chile e Colômbia. Das empresas que tinham mulheres em cargos de liderança, 64% registraram lucros, ao passo que apenas 43% das companhias que não contavam com mulheres na liderança eram lucrativas.

Mulher mais rica do Brasil

Luiza Trajano se tornou a mulher mais rica do Brasil, dedicando sua vida para o crescimento da empresa. Responsável por colocar a companhia entre as maiores redes de varejo do país, com referência de vendas pela internet.

Segundo a revista Forbes, a empresária está no 8° lugar das pessoas mais ricas do Brasil, sendo a primeira mulher. No ano passado, Luiza ocupava a 24° posição, subindo 16 posições em 2020, abandonando Miriam Voigt, dona da WEG. O patrimônio da dona do Magazine está calculado em R$ 24 bilhões.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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