Blog do Deco Bancillon

Eleições 2020: frustações e incertezas para a próxima corrida eleitoral

Nestas eleições, apenas dois candidatos apoiados pelo presidente Bolsonaro foram eleitos e as candidaturas de esquerda que mais empolgaram não eram do PT.

DECO BANCILLON | BRASÍLIA

Com o fechamento das urnas, já se pode ter três certezas sobre o atual quadro eleitoral e os possíveis cenários para a corrida presidencial em 2022.

São elas:

1) O Bolsonarismo, como força política, não se sustenta. Jair Bolsonaro (sem partido) continua tendo um séquito importante de adoradores país afora e ainda deve ser o candidato a ser batido num segundo turno em 2022, mas não dá para negar que política se faz também com palanques regionais, e isso Bolsonaro não terá nas próximas eleições. Neste ano, apenas dois de 13 candidatos a prefeitos apoiados por ele conseguiram se eleger. Em termos de aproveitamento, são apenas 15% de eficácia, digamos assim.

2) O PT, que ainda não conseguiu emplacar uma liderança para suceder a Lula, mostrou que, mesmo entre a esquerda, já não consegue mais ser unanimidade no país. Nestas eleições, as candidaturas de esquerda que mais empolgaram não eram do PT – a exceção de Marília Arraes, em Pernambuco, que ainda assim saiu derrotada na disputa com o primo João Campos. Por falar nisso, das 15 candidaturas que o PT levou ao segundo turno, 11 foram derrotadas: aproveitamento de 26%.

3) Os sem candidato (medidos pelos votos brancos, nulos e abstenções) serão um importante vetor da vitória em 2022. Este ano, no Rio, por exemplo, num segundo turno disputado entre Eduardo Paes e Marcelo Crivella, deu brancos e nulos. O contingente de eleitores que ou não saíram de casa ou votaram branco ou nulo no Rio foi de 2,3 milhões de pessoas. Eduardo Paes, o eleito, recebeu um total de 1,6 milhão de votos. Esse cenário de pouca empolgação do eleitor carioca com as eleições se deve a uma desesperança nacional com os partidos e candidatos que estão colocados. É, claro, uma oportunidade para quem quer ser apresentar como o novo, uma liderança capaz de empolgar tanto eleitores à direita quanto à esquerda. A pergunta que se faz é se temos hoje esse candidato.

Cenas dos próximos capítulos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.